segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Pedrinhas miudinhas





Por que tudo comigo tem de ser grande? Porque você é grande e gente grande atrai coisas grandiosas, desde a mais pequenininha percepção sobre a flor cor de maravilha que se abre no meio do caminho com o Sol até sentimentos imensos que transbordam pelos olhos porque não cabem no peito.

Você é grandiosa e atrai pessoas grandiosas, você é mar profundo, cachoeira que brota e vai pro fundo da terra, é daquelas árvores que as raízes beijam o mais profundo dos solos, naquele lugar embaixo de tudo que existe em que a terra encontra com a água e dá pro mundo o melhor cheiro, você é Espírito antigo que já caminhou e viu muito. E é tão fácil te amar, mas nem sempre fácil te entender. É sentimento que brota, que flui, que chora, que ama, meu Deus, como você ama e é um amor tão grande, mas tão grande pela vida, pelo mundo, pela natureza, pela humanidade, pelas pessoas, ah como você ama as pessoas que você ama, você ama tanto que transborda, é grande demais.

Tudo é grande demais e ao mesmo tempo você vê, você vive as miudezas da vida, porque sabe que é na miudeza que a grandiosidade está. A felicidade está no caminho das pedrinhas miudinhas, já dizia Preto Velho com toda razão e todo amor.

Bu

12 de Janeiro de 2026

sábado, 13 de setembro de 2025

Caótica harmonia




Sexta-feira à noite, setembro, preâmbulo da primavera, espetáculo em  3 tempos, música clássica. 

Na última peça, sinfonia número 01 de Schumann, a sinfonia da primavera, ela, no alto de seus 5, 6 anos começa um show a parte, limitada pela cadeira em que deve ocupar na plateia na primeira fileira acompanhada de seus responsáveis e aconselhada a ficar em silêncio por motivos óbvios, ela encontra sua brecha e dança loucamente acompanhando o ritmo da música. 

Seu pequeno corpo se movimenta em êxtase, pernas, braços, cabeça, com olhinhos fechados e sorriso no rosto, ela vibra, pulsa com os violinos, violoncelos, flautas e tudo o mais. 

Não pude deixar de observá-la, e de, obviamente, me encantar com ela, com seu corpo inteiro fazendo o que todos poderíamos fazer, não fosse a adultez que limita, que dita regras nem sempre adequadas aos momentos. 

A vendo dançar loucamente na cadeira, pensei que ela fazia com o corpo, o que minha mente fazia dentro da minha cabeça.  A música pulsando vibrante deixava minhas ideias dançando também loucamente. 

Seus responsáveis viram seu êxtase e sorriram para ela, disseram algo ao pé de seu ouvido, que imagino tenha sido algo bom, porque logo depois ela voltou com ainda mais furor, dançando, vibrando. 

Não pude deixar de sorrir e acompanhar novamente seus movimentos cadenciados pela sinfonia da primavera, a sinfonia que trouxe chuva, tempestade, sol, flores, vento, movimento, tudo arrebatado pela caótica harmonia da vida como ela é. 


Foto 1: sinfonia no.1 Schumann

Foto 2: sinfonia no.21 Mozart (ah, o piano♡)

Foto 3: Eu, mulher Juliana Ripke


Regentes Ricardo Bologna e Lilian Bain

Pianista convidado Rogério Zagui

Orquestra de Câmara da ECA 

domingo, 9 de março de 2025

Eu não morri

 Eu não morri.

Aquela que você achou que morreu ou que eu tinha matado, não morreu.
Eu nunca morri.
E, no entanto, morremos todos, todos os dias.
Mas ela, eu, aquela eu, sou eu e sempre, sempre fui, porque sou assim, não sei e não quero ser de outro jeito, talvez, e, é bem provável, eu tenha me perdido.
Pessoas se perdem, e, sendo pessoa me perco também.
Mas morte não, eu estou aqui.
Eu sempre estive aqui.
Eu sou a poeta que pisa descalça, que beija  paredes, que ama amar a vida, que tem a floresta no coração.
Eu sou aquela que chora fácil, porque tem um oceano à flor da pele, que ama chuva, que ouve os passarinhos com sorriso nos olhos, que é amante da lua, e observadora das estrelas, que vê e faz corações em toda parte.
Eu estou aqui. Eu sou eu e sou muitas, e ao mesmo tempo uma.
Que te amou e te ama.
Que quer e precisa ser amada inteira, que quer amar inteira, respeitada em todas suas faces, em cada pedacinho de alma.
Que quer voar ao vento, bons ventos,  como as folhas nos galhos que dançam farfalhando no céu, mas que tem raízes profundas na terra mãe.
Eu sou poeta e existo aqui, agora.
Não conheço o futuro, só o presente.

E, por isso, arre, devo existir, já dizia meu poeta favorito.


segunda-feira, 30 de setembro de 2024

A escola para Artur


Artur me intriga, não o conheço bem, mas algo nele me chama atenção, sua presença ali no quintal, no meio de tanta gente maior que ele, no meio do sol que dá vida mas que teima em arder cada dia mais forte, no meio da terra que acolhe, mas castiga com a secura.

Artur está ali, sempre presente, mas também ausente, sai de perto de seus pares - bebês de um ano e meio, dois -  muitos bebês para poucas professoras - e se arrisca no meio dos grandes, crianças de 4, 5, 6 anos, anda muitas vezes com um cobertor arrastando pelo chão, pela terra, pelas folhas, outras vezes só com sua chupeta, anda no meio de tanta gente sozinho, e no entanto, parece sempre querer um colo.
A escola para Artur parece abrigo - onde um bebê poderia explorar a natureza, a solitude, onde poderia escolher por onde caminhar com liberdade e autonomia?  Mas a escola para Artur também parece carecer de acolhimento, ele que busca um colo aqui, ali, consegue, perde, caminha, explora, segue...

Artur me intriga talvez mesmo porque para mim sua postura seja uma metáfora da vida, a eterna contradição entre presença e ausência, entre liberdade e proteção, entre a viagem e o porto seguro, o caminhar e o colo, o explorar e o abrigo, o sol que ilumina e que também queima.

domingo, 30 de junho de 2024

Nota reflexiva sobre a disciplina “Imagens, transmissão e sobrevivências: perspectivas educacionais”

 

o afeto é revolucionário


Sou professora, logo otimista

Maria Victoria Benevides

 

Neste semestre me vi inserida em contextos de discussões, pensamentos e diálogos que muito me tocaram, mexeram comigo não só em um nível acadêmico, mas também numa perspectiva mais profunda, íntima mesmo, me vi, em duas disciplinas, conversando com autoras e autores dos mais diversos tempos e lugares, mas que traziam em comum, o sentimento de necessidade, necessidade de entender, compreender, denunciar, transformar essa humanidade que somos e não somos.

Vi mais de perto e pude sentir, ainda que numa perspectiva epistemológica que a mim me tocou também a alma, o quão cruel essa humanidade foi, pode ser e ainda é, quantas camadas nos formam e nos escapam ao mesmo tempo, quantos crimes contra nós mesmos foram e ainda são cometidos.

Vi também e senti o quão potentes nós também fomos, somos e podemos ser, quanta luta foi enfrentada e ainda é, como a arte, a escrita, a educação, a academia, as pesquisas, as imagens, as memórias podem nos trazer de volta, de volta de uma humanidade perdida, de volta à uma humanidade que toca o real e que questiona, que luta, que aprende, que ama – naquilo que o amor pode ser e é o mais revolucionário – o poder de nos permitir ver e ser seres humanos dignos de respeito uns para com os outros, para com a vida de uns e de outros, de todos e de cada um.

Os textos propostos me fizeram arder por dentro de alguma forma como nos diz Didi-Huberman[1], arder como as imagens quando tocam o real, as discussões em sala, as imagens projetadas, o acolhimento e a disponibilidade da professora Fabi,  a aula magna com a professora Maria Victoria Benevides, os cravos recebidos, a caminhada ao Monumento aos mortos e desaparecidos da USP, as visitas, sobretudo, ao bairro da Liberdade, que me tocou tanto, que após essa experiência quaisquer outras tentativas de reflexões para o trabalho final falharam categoricamente. Precisava escrever sobre essa experiência, como necessidade poética e política, no sentido de urgência de vida como nos brinda Rilke em suas Cartas a um jovem poeta.

Todas essas experiências do semestre me foram muito significativas, me fizeram refletir, me causaram dor, indignação por um lado, e ao mesmo tempo, visto que a contradição é o sobrenome da humanidade, me causaram também esperança, uma genuína, embora por vezes cansada, vontade de continuar, de estudar, pesquisar, escrever mais, de viver lutando as lutas cotidianas com poesia e amor (pois que essas são minhas principais armas), de continuar questionando, de continuar buscando ser melhor, viver melhor, com quem está ao meu lado no dia a dia, a revolução é viral, me disseram, é no miúdo das relações ordinárias que as grandes transformações se iniciam, é no cotidiano que tocamos o real, que o afeto é revolucionário, e é aí, precisamente, que está a minha revolução.

 

 

À professora Fabiana Jardim, minha gratidão.

 

Bruna Cadenas Cardoso

Junho de 2024



[1] Didi-Huberman, Georges. Quando as imagens tocam o real. Pós, Belo Horizonte, v.2, n.4, pp.204-

219, nov. 2012.

domingo, 19 de maio de 2024

Sobre alguns dias de abril e maio


I.

Foi um quase amor.


Bateu na trave e foi bom.

Seria complexo, intuo.

O universo então me apresentou a lição.

Com carinho e intensidade.

Exigindo de mim coragem e humildade.

A tentação de alimentar ainda se apresenta, mas seguirei firme se Deus quiser.

A lição volta até que o aprendiz aprenda a lição.

04.05.2024



II.

Você foi um vento bom que passou bagunçando meu coração e me fazendo sorrir.

05.05.2024


III.

Sobre ela

Um rio caudaloso se mostrou em meu caminho e eu, entrei com receio e expectativa, mas com coragem, mergulhei devagarinho e fui.

Uma pedra se apresentou no meio do caminho, segui o conselho do rio e subi, não, este rio não era para mim, não agora, talvez nunca.

Me levantei e pulei para a margem, cabelos e coração molhados. Respirei fundo.

E é claro que meu coração palpitou e soltou algumas lágrimas, porque sou intensa. 

E é claro que fiz diversos questionamentos, porque sou perguntadeira.

E, é claro, também, que em algum momento me soltei na relva, deitada, molhada, deixando que o Sol me seque os cabelos, a pele e esse quase amor, porque confio.

Acima de tudo, amo e confio.

17.05.2024




sexta-feira, 29 de março de 2024

A realidade extrapola a imaginação

Foi me dito que a realidade extrapola a imaginação, e, confesso que isso me tocou de alguma sorte, logo eu, que sou toda imaginação, que adoro pensar e escrever histórias, que vejo poesia em toda parte, que olho o mundo com olhos encantados e crio a partir dele, com ele, para além dele. Mas a vida fala mais alto diz uma voz em meu interior já faz um tempo, a vida, aqui, não poderia quiçá representar a tal da realidade, essa realidade que extrapola a imaginação?

Talvez sim, não há mesmo como negar a urgência da vida, do real, do tempo presente, que também é passado e futuro de forma contínua. Não há como negar o ser, o ser que pretende ser, e assim o é hoje, amanhã e ontem.

Para conhecer a si e ao mundo é preciso viver (e também imaginar – insisto,  nem tudo é passível de ser vivido, nem tudo é necessário de ser vivido), mas ainda assim viver é preciso (e, arrisco-me aqui a contrariar poeticamente um dos meus poetas preferidos, que Pessoa me perdoe), mas sim, viver é preciso para se conhecer, para se tecer redes de significados e relações que façam jus a quem somos e a quem queremos ser, e até mesmo para imaginar é preciso viver o real.

Para criar mundos, é preciso estar em um mundo, para questionar a realidade, é preciso fazer parte dela, para propor mudanças e projetos, é preciso viver.

Então sim, sinto-me convencida de que, de alguma forma, a realidade extrapola a imaginação, e isso não é um problema necessariamente, pois, apesar de tudo, é tão lindo viver.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Vidas passadas



Eu não pude deixar de olhar para você, foi num ínfimo de segundo que nossos olhares se cruzaram e eu me vi ao invés de te ver, vi o que seus olhos viram, me vi sorrindo de leve, com olhos cheios de recém morridas lágrimas, saí acabada do cinema, sabia que seria assim, algo semelhante à isso, sabia a dor que ia sofrer e fui mesmo assim, fui porque precisava ver outra história como a minha, outras vidas que estando juntas não estão, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, embora as histórias sejam muito diferentes, há um passarinho que pousa num galho em comum, há todo esse sentimento gigante que não se sabe o que fazer, um amor que fica no ar, meio perdido, sem rumo, mas que ainda assim é amor, e para sempre vai ser, não para essa vida, é verdade, para um futuro ou do passado, quem sabe... saber é um verbo tão difícil quanto amar, embora amar, ah, amar em si é fácil, o difícil é saber, é o não saber.

Pois assim sem saber, te vi e precisei te olhar, uma questão de respeito talvez, um respeito entre almas, quando passei mais cedo, você dormia na marquise da loja, agora de noite, você estava deitado no mesmo lugar, mas acordado, estava como relaxado, não fosse a crueldade do mundo, diria que estava tranquilo, e foi ali que te olhei, te olhei porque não podia te ignorar, te olhei porque você é, assim como eu sou, e você também me olhou, mas com as lágrimas recém caídas, com o coração em oceano, você me fez ver a mim, me foi espelho, e houve ali algo para mim, te abençoei, porque gosto de abençoar, porque eu mesma precisava de bênçãos. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Sacramento, domingo cedinho, quarto de hotel.

Miau, miau miau.

Onde está o gatinho que tanto mia? 

O que será que ele quer?

Abro parcialmente a janela, a luz entra, mas não o consigo ver.

Miau, miau, miau - os miados continuam.

Abro a janela inteira, o procurando, olho para baixo e lá está ele, ou será ela?

Ele mia olhando para mim, olhos verdes claros brilhantes, corpinho laranja, parece querer se achegar, mas como?

Da onde ele vem? Será que ele é do hotel? Será que ele quer entrar?

Saio do quarto para ver a porta do lado que dá para o estacionamento onde ele está, a porta está trancada, mas o que é uma porta fechada, se há uma janela aberta?!

Assim que entro no quarto de volta, ele entra pela janela - surpresa! - ele conseguiu pular, é claro, é um gato e gatos saltam, gatos entram onde querem.

Ele entrou em meu coração.


O que eu faço? Pega ele e coloca para fora diz minha colega do banheiro, sem dar muita atenção ao incrível visitante inesperado.

Chego pertinho dele e faço carinho, não sei se posso pegá-lo, não tenho tanta intimidade com gatos, já fui meia-mãe de Caetano e sinto saudades dele, será que eu sei?

Ele se derrete em meu carinho, vira a cabecinha, inclina as orelhinhas, ronrona, ah, meu coração se alegra, ele gosta de meu carinho, ronrona e entra ainda mais em meu coração.

O pego no colo com cuidado, ele deixa, o levo ainda de camisola até a recepção, torcendo para que ele seja do hotel, para que fique, também aqui e não só em meu coração.

O dono do hotel me olha espantado, não ele não é daqui, é gato de rua, cuidado, diz ele. Pode colocar ali fora, deve ser da vizinhança, completa.

O coloco na porta delicadamente, mas gatos são gatos, entram onde querem entrar, ele, lógico, entra de novo no hotel, o dono vai atrás, o gatinho indiferente a de quem é o prédio, corre pelos corredores, entra e sai de meu quarto antes que eu volte e vai embora - não o vejo mais.

Mas ainda assim, ele ficou, ficou em meu coração.

17.07.2022

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Sobre o que se vê e o que não se vê





São escolhas, a vida é feita de escolhas, o olhar é feito de escolhas.

Impossível ver tudo, necessário não ver.

Quando num quadro imersivo, numa história contada por todos os lados, ela escolheu se sentar, escolheu olhar para o lado de cá, deu as costas para o lado de lá.

Viu histórias que eu não vi, e, eu, as que ela não podia ver.

O que é a vida senão feita de histórias, de imagens, músicas, impressões que nos chegam e nos tocam, ou que passam por nós sem nunca nos chegar?

Eu vi o tema mudar, vi as palavras que amo tanto, e que me fazem tanto sentido - apresentar, poetizar as pinturas e a música que viriam - ela, não, não viu as palavras, não viu as pinturas que vi, mas viu outras que eu não vi.

E nesse vai e vem de pinturas, de músicas, de escolhas, cada uma viveu o que tinha de viver, viu o santo, o Jesus que tinha de ver, se encantou e foi tocada pelos anjos dos céus, que são muitos, como a arte, como a vida é.

01.07.2022

Exposição portinari

sábado, 26 de março de 2022

Eloísa


O mundo ficou novo de novo.
Nasceu Elô.
Nasceu mais uma vida neste mundão de amor.
Nasceu o amor mais uma vez.

Quando nasce um bebê, nasce um amor maior do mundo.
Nasce um mundo todo de amor.
Todo mundo nasce em amor.
E Elô nasceu.
Hoje.
Uma semana depois das bênçãos de amor.
Nasceu amando e sendo amada.
Nasceu abençoada.

Venha Elô, bem-vinda,
Venha Elô amada,
Ser feliz e amar,
Venha Elô viver essa vida linda,
Venha Elô.


Que o amor guie todos os teus passos.

Com carinho,
Bru

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Professora, o sol!!

Porque apesar dos adultos, as crianças existem.

Porque apesar dos adultos, as crianças resistem.

Porque apesar dos adultos, as crianças poetizam.

As crianças brincam, abraçam, choram, limpam as lágrimas e continuam. 
As crianças brigam, e se perdoam com a mesma facilidade, ajudam, e amam, porque sabem que ajudar e amar é tudo o que existe, o que deveria existir.

Bernardo viu o sol pela janela na hora da refeição, o sol dourado, tímido iluminou de repente, depois de uma tarde quente e chuvosa, todo o ambiente.
Bernardo me olhou com aqueles olhos expressivos que carregam o mundo todo e gritou de seu lugar, do seu jeitinho, com sua fala cada vez mais desenvolvida:
Professora, o sol!
E a alegria que estava em seu rosto e em seu coração, iluminou todo ambiente ainda mais que o astro rei,  e iluminou também meu coração.

Que a gente olhe para janela, olhe para nossos corações e veja o sol de Bernardo.

domingo, 12 de dezembro de 2021

Ismália

Teve uma vez na seara há mil anos

Foi a primeira em verdade que Ismália me apareceu e eu nem sabia que os versos mais lindos eram os seus

Soube de primeira que aquele desejo era também meu, mas não sabia seu nome de poesia.

Depois, muitos anos, Ismália me apareceu de novo, dessa vez com voz poderosa e música forte junto.

Dessa vez, soube seu nome e me encantei de tal modo que a guardei em meu coração -  a experiência arrebatadora dormiu em mim como pedra preciosa guardada nas entranhas da alma, esperando o momento certo de despertar novamente.

E hoje, qual não foi minha surpresa quando no paraíso me deparo com Ismália abaixo não sei quantos metros da terra, Ismália escrita em azul em cima da escada e dentro de meu coração.

Subindo a escada a vi, desci e a li. 
E na tentativa de guardá-la de novo em mim, como se já não estivesse aqui, para sempre,
tirei uma foto, a luz do teto do subsolo do metrô caiu como um raio divino sobre Ismália e meu coração se rejubilou de novo e mais uma vez.
Descobri também seu autor - poeta brasileiro, que orgulho dessa nossa gente, da nossa poesia, desse amor louco e dessa lua que brilha no céu e no mar.
Ah, o céu e o mar.
Precisava escrever.
BCC
12.12.2021

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Sobre um dia bom de trabalho e poesia


 Eu subo na árvore para ver o mundo.

É preciso tempo para amar, para viver, para reparar na poesia da vida.

Flor, amor e tempo.


As cores do vento.


Ah, o céu, sempre o céu.






segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Carminha

A gente já sabia, a gente quase sempre sabe, mas ainda assim dói, não porque não tenhamos fé, não porque não saibamos que Deus é amor e sabedoria maior e que está tudo certo.

Dói porque amamos demais e somos pequenos para tanto amor, mas um dia seremos quase tão grandes quanto Ele, um dia seremos só amor e nesse dia não haverá de doer mais.

Mas hoje dói, hoje nosso coração cheio de amor chora, sente falta, sente saudade, como será o mundo daqui para frente sem sua voz bondosa, seu sorriso acolhedor, sua palavra doce que sempre agradecia pelo amor, que me disse ao pé do ouvido com tanto carinho - eu te amo tanto minha amiga.

Como será não te ver mais em nossos sábados azuis?  Mas você está aqui, digo de mim para mim, você estará sempre aqui em nossos corações, em nosso grande coração azul, trabalhando, sorrindo, amando, agradecendo, aprendendo e ensinando como fez entre nós. Temos certeza disso, você continuará. 

Continuará no amor de seus filhos, de sua irmã guerreira querida, continuará em seus netos, em suas sobrinhas, em seu irmãos do grupo azul, em seus alunos e amigos e em tantos, tantos que você se fez morada, que você tocou com carinho, gentileza, teimosia, amor e paciência.

Você continuará querida amiga aqui e do lado de lá, continuará com nosso amor hoje, amanhã e sempre.

22.11.2021

Para Carminha.

"Eu vou sentir saudades de rezar por você"

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

A última dos meus 29


E o que faço eu numa sexta-feira à 
noite, uma comum e extraordinária sexta-feira à noite, a última dos meus 29 anos. Depois de um filme italiano com meus pais, vejo uma mensagem-querida convite para ouvir um podcast de Bethânia lendo Clarice e intercalando com blues, a música negra norte-amaricana, que tanto amo, que tudo amo - junto.

Aceito o convite de minha alma e deito em meu quarto com a luz apagada, janela aberta, o negro azul do céu sobre minha cabeça, Clarice em meu coração, Bethânia, abelha rainha, e a música, ah essas músicas, essas mulheres... só amor e uma alegria inexplicável em ser quem sou, em ser mulher, em compartilhar das existências dessas divas que pisaram nesta terra e abrilhantaram o mundo com sua força-poesia, força-voz, força-amor.
De que mais preciso eu, em minha última sexta-feira dos 29 anos?! 
BCC
05.11.2021

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Hoje a saudade bateu quase que insuportável

E hoje de novo a gente se encontrou no sonho, mas hoje você estava tão você, não foi como das outras vezes que seu cabelo estava diferente e eu não te reconhecia direito, como alguém que um dia foi família e hoje, não passa de uma estranha conhecida.

Hoje, você estava com sua roupinha azul marinho que eu tanto gostava, você me amava e eu te amava também, havia faísca entre nós, estava na cara o nosso amor, nosso desejo sem fim, e, no entanto, assim como na vida real, não ficamos juntas. Apenas nos encontramos em um estranho eleva-dor, você estava ainda com a aliança e eu pensei "ela ainda me ama", mas talvez você só tenha se apegado ao anel mesmo - ele é lindo de qualquer forma.

Me preocupei com você no sonho, como na vida, nossos corpos quase soltaram faísca ao se aproximarem, você sorriu linda e foi embora de novo.

Eu fui para o outro lado e o sonho mudou, passou, acabou. 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Pedrinhas miudinhas

Por que tudo comigo tem de ser grande? Porque você é grande e gente grande atrai coisas grandiosas, desde a mais pequenininha percepção sobr...