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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Baile de carnaval - final


Bia nunca havia pensado em Carol de outra maneira que não fosse profissional, mas gostava muito da chefe, gostava de seu estilo de trabalho, de escrita – ninguém conseguia diferenciar o que escreviam, em termos estéticos e de qualidade literária eram as melhores, se entendiam perfeitamente. Muito embora, Bia nunca tivesse concordado com o estilo de vida da chefe, muito menos com sua maneira ríspida (e pouco ética, em alguns casos) de tratar as pessoas e as situações, ela gostava de Carol, enxergava, de alguma maneira, o ser humano escondido por baixo de todas aquelas camadas de aparência.

E como estavam lindas hoje, o amor faz bem às pessoas às almas e aos corpos – e que corpos – Carol estava com um vestido vermelho com um tom mais fechado, queimado que combinava perfeitamente com sua pele morena e seu lindo cabelo castanho escuro, Bia, mais discreta, mas não menos deslumbrante usava um vestido preto decotado muito elegante que destacava seus belos fios louros, ambas levavam máscara enfeitadas como a de bailes antigos.

Estavam morando juntas há quase um ano e a relação só fazia melhorar, se davam bem em tudo, eram cúmplices na vida e na cama. Bia nunca imaginara que poderia ser tão feliz e realizada com uma mulher, Carol sabia que o sexo podia ser bom, mas nunca havia experimentado o amor nem com homem nem com mulher, Bia foi seu primeiro e único amor de verdade, Carol foi a primeira e única mulher de Bia, juntas ninguém poderia atingi-las, eram apaixonantes e apaixonadas.

Foram para o baile – o primeiro de muitos.

Fim.
BCC

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Baile de carnaval - II


Ele precisou almoçar com ela no dia seguinte. Não conseguia entender. “Mas você gosta de homem, Carol. Eu sei que você gosta de homem, porra a gente já transou! ”. Ela explicou paciente e didaticamente que gostava de homens e de mulheres, e que, agora amava Bia mais do que tudo. “Mas vocês, tipo, são duas mulheres gostosas, eu pensava que uma sempre era mais macho, sei lá... entende? ”. Carol respirou fundo. “Não, uma não precisa ser mais macho.  A gente se ama, eu sinto muita atração por ela e ela é puta gostosa, não tem nada de errado nisso, pelo contrário, é ótimo! ”.


“Mas vocês já estavam juntas quando estavam na revista? ”. “Não”, ela respondeu. Mentiu, já tinham transado umas vezes antes de Bia se tornar editora chefe da outra revista, mas o percurso até ficarem juntas de fato foi meio tortuoso. Carol amou Bia todos aqueles anos em que ela era seu braço direito, esquerdo, suas mãos, suas palavras, mas não era um amor de mulher, de alma. Sentia atração por sua subordinada, mas nada muito intenso, até um dia... 


Continua...

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Baile de carnaval - I


Elas estavam deslumbrantes. Era a primeira vez que saiam juntas para ir a uma festa da empresa, na verdade, já tinham ido a um happy hour há um mês mais ou menos, mas “oficialmente”, em um evento envolvendo toda a editora, seria a primeira vez. Estavam um pouco nervosas, não esconderam o romance, mas tampouco saíram espalhando por aí que estavam juntas. Conheciam bem o mundo corporativo e seus dilemas nada éticos.


Pelo menos, um dos big boss já sabia, custou a acreditar, mas não interferiu nem deveria.  Ficou sabendo durante uma brincadeira no happy hour, sua reação foi surreal, ele não conseguia acreditar, foi como se todas suas certezas tivessem ido por água a baixo, não conseguiu falar com elas no dia. Achou que era brincadeira, sabe quando a criança descobre que nada daquilo é real – papai noel, coelho da páscoa, fada do dente... 

Continua...

Pedrinhas miudinhas

Por que tudo comigo tem de ser grande? Porque você é grande e gente grande atrai coisas grandiosas, desde a mais pequenininha percepção sobr...