Eu não morri.
Aquela que você achou que morreu ou que eu tinha matado, não morreu.Eu nunca morri.
E, no entanto, morremos todos, todos os dias.
Mas ela, eu, aquela eu, sou eu e sempre, sempre fui, porque sou assim, não sei e não quero ser de outro jeito, talvez, e, é bem provável, eu tenha me perdido.
Pessoas se perdem, e, sendo pessoa me perco também.
Mas morte não, eu estou aqui.
Eu sempre estive aqui.
Eu sou a poeta que pisa descalça, que beija paredes, que ama amar a vida, que tem a floresta no coração.
Eu sou aquela que chora fácil, porque tem um oceano à flor da pele, que ama chuva, que ouve os passarinhos com sorriso nos olhos, que é amante da lua, e observadora das estrelas, que vê e faz corações em toda parte.
Eu estou aqui. Eu sou eu e sou muitas, e ao mesmo tempo uma.
Que te amou e te ama.
Que quer e precisa ser amada inteira, que quer amar inteira, respeitada em todas suas faces, em cada pedacinho de alma.
Que quer voar ao vento, bons ventos, como as folhas nos galhos que dançam farfalhando no céu, mas que tem raízes profundas na terra mãe.
Eu sou poeta e existo aqui, agora.
Não conheço o futuro, só o presente.
E, por isso, arre, devo existir, já dizia meu poeta favorito.