sábado, 13 de setembro de 2025

Caótica harmonia




Sexta-feira à noite, setembro, preâmbulo da primavera, espetáculo em  3 tempos, música clássica. 

Na última peça, sinfonia número 01 de Schumann, a sinfonia da primavera, ela, no alto de seus 5, 6 anos começa um show a parte, limitada pela cadeira em que deve ocupar na plateia na primeira fileira acompanhada de seus responsáveis e aconselhada a ficar em silêncio por motivos óbvios, ela encontra sua brecha e dança loucamente acompanhando o ritmo da música. 

Seu pequeno corpo se movimenta em êxtase, pernas, braços, cabeça, com olhinhos fechados e sorriso no rosto, ela vibra, pulsa com os violinos, violoncelos, flautas e tudo o mais. 

Não pude deixar de observá-la, e de, obviamente, me encantar com ela, com seu corpo inteiro fazendo o que todos poderíamos fazer, não fosse a adultez que limita, que dita regras nem sempre adequadas aos momentos. 

A vendo dançar loucamente na cadeira, pensei que ela fazia com o corpo, o que minha mente fazia dentro da minha cabeça.  A música pulsando vibrante deixava minhas ideias dançando também loucamente. 

Seus responsáveis viram seu êxtase e sorriram para ela, disseram algo ao pé de seu ouvido, que imagino tenha sido algo bom, porque logo depois ela voltou com ainda mais furor, dançando, vibrando. 

Não pude deixar de sorrir e acompanhar novamente seus movimentos cadenciados pela sinfonia da primavera, a sinfonia que trouxe chuva, tempestade, sol, flores, vento, movimento, tudo arrebatado pela caótica harmonia da vida como ela é. 


Foto 1: sinfonia no.1 Schumann

Foto 2: sinfonia no.21 Mozart (ah, o piano♡)

Foto 3: Eu, mulher Juliana Ripke


Regentes Ricardo Bologna e Lilian Bain

Pianista convidado Rogério Zagui

Orquestra de Câmara da ECA 

domingo, 9 de março de 2025

Eu não morri

 Eu não morri.

Aquela que você achou que morreu ou que eu tinha matado, não morreu.
Eu nunca morri.
E, no entanto, morremos todos, todos os dias.
Mas ela, eu, aquela eu, sou eu e sempre, sempre fui, porque sou assim, não sei e não quero ser de outro jeito, talvez, e, é bem provável, eu tenha me perdido.
Pessoas se perdem, e, sendo pessoa me perco também.
Mas morte não, eu estou aqui.
Eu sempre estive aqui.
Eu sou a poeta que pisa descalça, que beija  paredes, que ama amar a vida, que tem a floresta no coração.
Eu sou aquela que chora fácil, porque tem um oceano à flor da pele, que ama chuva, que ouve os passarinhos com sorriso nos olhos, que é amante da lua, e observadora das estrelas, que vê e faz corações em toda parte.
Eu estou aqui. Eu sou eu e sou muitas, e ao mesmo tempo uma.
Que te amou e te ama.
Que quer e precisa ser amada inteira, que quer amar inteira, respeitada em todas suas faces, em cada pedacinho de alma.
Que quer voar ao vento, bons ventos,  como as folhas nos galhos que dançam farfalhando no céu, mas que tem raízes profundas na terra mãe.
Eu sou poeta e existo aqui, agora.
Não conheço o futuro, só o presente.

E, por isso, arre, devo existir, já dizia meu poeta favorito.


Pedrinhas miudinhas

Por que tudo comigo tem de ser grande? Porque você é grande e gente grande atrai coisas grandiosas, desde a mais pequenininha percepção sobr...